Quem ganha com a fusão Submarino – Americanas?

Quem ganha com a fusão Submarino – Americanas?

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A imprensa econômica noticiou, exaustivamente, a fusão entre Submarino.com e Americanas.com, em uma nova empresa que terá o criativo nome de “B2W”. A despeito da excitação que percorre o mundo varejista com a união das duas maiores empresas do comércio eletrônico no Brasil, tenho algumas dúvidas com relação aos seus efeitos para o setor. Segundo estimativas do mercado, o faturamento somado das duas empresas chegará ao redor de R$ 2,5 bilhões em 2006, o que representará quase 60% de todas as vendas de bens de consumo da Internet brasileira, estimadas em R$ 4,3 bilhões para o mesmo período. Isso significa uma gigantesca concentração de mercado e é justamente nesse aspecto que residem minhas dúvidas.

A competição entre empresas fortes é o grande impulsionador de qualquer setor da economia, uma vez que os competidores são forçados a buscar melhorias em seus negócios de forma a ganhar ou, pelo menos, manter sua participação no mercado. Nesse processo, o consumidor é o grande beneficiado, visto que é cortejado por cada um dos competidores, e as armas da competição incluem, principalmente, qualidade no atendimento e preços baixos. Se não houver um competidor a altura, uma grande barreira ao aumento de preços será diluída, e o foco tenderá a ser exclusivamente a expansão do lucro. Sabe-se que um dos fatores que têm estimulado o grande crescimento do comércio eletrônico no Brasil é a possibilidade de o consumidor encontrar, na Internet, produtos a preços mais baixos que os encontrados no varejo tradicional. Sem uma competição efetiva entre grandes empresas, será que essa disponibilidade do preço mais baixo continuará? É impossível prever, mas receio que a resposta possa não ser afirmativa. Esse receio advém da razão exposta acima e do fato de as Americanas, detentora de 53,25% da nova empresa criada, ser uma empresa que opera também no varejo tradicional, não tendo, por isso, estímulos para competir consigo mesma em dois canais de comercialização.

Do ponto de vista dos acionistas do Submarino e da Americanas.com, a criação de uma megaempresa varejista faz todo sentido, afinal as duas empresas atuam com linhas de produtos muito semelhantes e poderão utilizar essa sinergia para eliminar gastos e avançar sobre novos segmentos, sem citar o poder e os benefícios decorrentes de uma participação de mais da metade do mercado. Mas, para o consumidor on-line, dificilmente haverá compensações, pois antes ele dispunha de duas grandes empresas para servi-lo na Internet e, agora, passará a dispor de apenas uma, mesmo que as duas marcas continuem no mercado, o que é incerto no longo prazo. Será interessante conhecer a posição do Cade, órgão cuja função é justamente defender o interesse do consumidor não permitindo a concentração do mercado.

Finalmente, para os pequenos varejistas e empreendedores on-line, a estratégia deverá ser a busca por nichos de mercado não atendidos satisfatoriamente pelas grandes. Afinal, ninguém consegue ser o melhor em tudo, principalmente uma empresa que vende quase um milhão de itens diferentes. Tamanho costuma representar força, mas também pode trazer problemas, como lentidão nas respostas às demandas do mercado. Vale lembrar que a agilidade é um fator estratégico crucial na nova economia.

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