O primeiro bilhão de dólares a gente nunca esquece

O primeiro bilhão de dólares a gente nunca esquece

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Estive recentemente no lançamento do “Web Shoppers 2006”. Trata-se de uma publicação semestral da empresa eBit que apresenta uma síntese do desempenho do varejo on-line brasileiro. Parafraseando um dos participantes do evento: o gostoso no e-commerce é que, por mais otimista que você seja, a realidade acaba se mostrando melhor ainda do que a expectativa. E, no ano passado, não foi diferente. Vamos aos números: o faturamento do setor atingiu a marca de R$ 2,5 bilhões, superando a expectativa de R$ 2,3 bilhões e, pelo câmbio atual, ultrapassando, pela primeira vez, a marca de um bilhão de dólares. Esse valor representa um crescimento de 43% em relação ao ano anterior, percentual que tem se mantido relativamente constante nos últimos três anos. A previsão de faturamento do e-commerce para 2006, segundo Pedro Guasti, da eBit, é da ordem de 3,9 bilhões de reais, valor que, se concretizado, representará um aumento de 56%. Nada mal, principalmente no contexto geral da economia brasileira que patina há anos com um pífio crescimento ao redor de 2% ao ano.

Esse cenário positivo para o comércio eletrônico de bens duráveis é decorrente de diversos fatores inter-relacionados, já citados aqui, tais como: a expansão da base de internautas e consumidores on-line; a diminuição no custo dos microcomputadores e a maior familiaridade com as compras on-line, o que aumenta a freqüência de compras e o volume de gastos. Outros aspectos, citados pelo presidente da câmara-e.net, Manuel Mattos, são o aumento na utilização da banda larga e, também, o processo de certificação digital dos usuários, que, ao tornar mais seguras as transações eletrônicas, deverá representar um ponto de inflexão positivo para o e-commerce, já partir de 2006. Outro número interessante apontado pela pesquisa é a quantidade de consumidores on-line, que passou de 3,2 milhões para 4,7 milhões, um expressivo aumento de 46% em relação ao ano anterior, próximo ao aumento verificado para o faturamento.

Até onde vai o e-commerce?

Há poucos anos, quase todos olhavam com suspeição para as “vendas pela Internet”. Hoje, há um entendimento pacífico de que o e-commerce é uma realidade concreta e com perspectivas muito positivas para o futuro. A questão que se coloca é: até que ponto vai crescer o e-commerce no Brasil? É impossível responder com precisão sem a ajuda de uma bola de cristal, mas alguns indicadores mostram um grande espaço de penetração. Vou citar apenas um desses indicadores: atualmente, no Brasil, cerca de 17 milhões de pessoas já utilizam o Internet banking cotidianamente. Essas pessoas já possuem os dois requisitos básicos para tornarem-se consumidores on-line: o acesso à rede e a renda para consumir. Subtraindo-se dessa quantidade os quase 5 milhões de e-consumidores existentes no Brasil, restam cerca de 12 milhões de pessoas prontas para comprar pela Internet. Pode-se inferir, portanto, que o e-commerce vá alcançar, num período não muito longo, um volume três vezes maior do que representa hoje.

Há quase quatro anos, escrevi um artigo no qual fiz uma previsão do crescimento da Internet até o final desta década. Depois da leitura dos números para o setor, citados aqui, fui compará-los com os de minhas projeções e cheguei à conclusão de que, pelo menos até agora, a realidade tem se mostrado bem mais positiva do que a minha projeção mais otimista. Felizmente, tudo indica que essa tendência continuará por um bom tempo.

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