O Risco de Banalização do Facebook

O Risco de Banalização do Facebook

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Acredito que o risco maior para as mídias sociais, particularmente as redes sociais como o Facebook, seja a sua banalização. Quem usou com entusiasmo o Orkut há alguns anos e hoje sequer se lembra que ele existe, vai visualizar esse fato com clareza. Afinal, se olharmos criteriosamente, o Facebook é apenas um Orkut melhorado e, em última instância, nós só migramos o nosso perfil para ele porque nossa turma estava fazendo isso.

O fato é que o conteúdo publicado nessas redes é pobre: majoritariamente fotos de pessoas nas mais variados situações, com as amigos, o cachorrinho, a amiga ou o bebê fofinho. Não me julgue mal, não estou fazendo nenhum juízo de valor, afinal, eu também, já publiquei fotos minhas e de meus filhos ao lado do cachorro… Mas hoje, com cerca de trinta milhões de brasileiros fazendo isso diariamente, tenho a forte sensação de que ler banalidades no Facebook está perdendo a graça.

Assim como um brinquedo, que faz nossos olhos brilharem ao primeiro contado e do qual cansamos, após algum tempo, tudo tem um ciclo de vida, e isso é válido principalmente no mundo digital no qual as novidades chegam rapidamente e se vão na mesma velocidade. Se isso for verdade, as pessoas gastarão menos tempo nessa plataforma, o que seria ruim para qualquer iniciativa comercial e fatalmente poderia desencadear uma forte desvalorização dessa grande rede social.

O que o Facebook poderia fazer?

Olhando essa questão do ponto de vista do ecommerce, o que Facebook poderia fazer para evitar o efeito banalização que vitimou o Orkut?
Antes de mais nada, a minha impressão é que os dirigentes do Facebook não estão gastando 5% de seu cérebro com essa questão, mas sim com a monetização do site visando o atendimento das expectativas de seus investidores, que por sua vez, não colocam fotos de seus cachorrinhos e tampouco se preocupam com quem faz isso. Eles querem apenas, e com toda razão, multiplicar rapidamente o dinheiro que colocaram lá para  retirá-lo, porque o seu instinto financeiro está lhes dizendo que, embora seja de grande valor, o Facebook l vale menos do que os US$ 100 bilhões que custa hoje. No que estão certos.
Mas voltando à pergunta inicial sobre o que fazer, em primeiro lugar, creio que isso dependa apenas parcialmente da ação de seus dirigentes. Se surgir no ambiente da Internet outra novidade que desperte o interesse das pessoas, elas tenderão a migrar, deixando seus perfis no Facebook como morto-vivos posando para a eternidade digital. Exatamente o que ocorre com o Orkut atualmente

Por outro lado, o Facebook tem recursos financeiros e humanos para criar novidades e inovações na plataforma. Para isso é preciso, antes de mais nada, estar orientado para os usuários e não apenas para os investidores. Criar o novo; estimular a publicação de melhor conteúdo; premiar a criatividade que valorize a qualidade e estimule, mesmo que suavemente, o cérebro de seus usuários.  Por mais paradoxal que possa parecer, essas atitudes tenderão a gerar no longo prazo um melhor retorno para os investidores, além dos benefícios aos seus milhões de usuários.

Diferentemente do Facebook, redes sociais como o Linkedin correm menor risco de banalização pelo fato de que boa parte de seus usuários tem o propósito de expor ao mercado o seu lado profissional, o que implica um maior auto-controle de suas publicações. Em outras palavras, existe um benefício concreto de estar lá e de transmitir uma boa imagem.

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