Desemprego: O mal do século

Desemprego: O mal do século

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Todo começo de semestre é a mesma coisa: aquela multidão de olhos acompanhando a entrada do professor no primeiro dia de aula. Olhos alegres, aborrecidos, atentos, esperançosos, desconfiados, cansados… mas todos refletindo um sonho comum: arrumar um bom emprego ao final do curso.  E é justamente aí, que a coisa pega. 

Anualmente cerca de um milhão e meio de jovens são lançados no mercado de trabalho, boa parte dos quais, vai engrossar as estatísticas como desempregado. O índice de desemprego elaborado pelo IBGE (PME) em julho apontava para 12,8%  ou  seja, quase 5 milhões de desempregados nas principais regiões metropolitanas do Brasil. Outros órgãos apresentam números ainda maiores. A frieza econômica equaciona o problema da seguinte forma: oferta de emprego muito menor do que a demanda.  Possíveis causas: globalização que traz para o país produtos mais baratos em detrimento da industria nacional, ainda não preparada para a competição; desenvolvimento tecnológico que substitui homens por máquinas ou computadores em trabalhos de menor valor intelectual; diminuição nas taxas de crescimento, o que impede a plena absorção da nova mão de obra gerando neodesempregados; e vai por ai afora. Sem dúvida, todos esses fatores tem relação com o problema em maior ou menor grau, mas no caso brasileiro, um aspecto chama a atenção. O Brasil penaliza a geração de empregos! Nós devemos ser no mundo, o país que mais onera a folha de pagamentos das empresas com impostos, taxas, burocracia, normas… e coisas do gênero. E isso é um grande estímulo a não contratação. Os números saltam aos olhos: bem menos da metade dos trabalhadores tem carteira assinada. Só não vê quem não quer.  E diferentemente dos problemas citados inicialmente que são estruturais e nem sempre dependem de nossa vontade para serem resolvidos, trata-se aqui de um problema de legislação que pode ser modificado pelos nossos representantes, se assim o quiserem. Li dias atrás, um interessante artigo do professor Marcos Cintra no qual ele propunha a desoneração de encargos sobre a folha de pagamentos em troca de um aumento de 0,5%  na CPMF. A idéia é estimular a geração de empregos e renda, através da troca da tributação do trabalho pela tributação da economia informal. Sem entrar no mérito da proposta, acho que ela coloca o dedo na ferida ao apontar uma importante causa do desemprego e oferecer uma solução,  portanto  deveria ser aprofundada e debatida com seriedade. 

Voltando aos jovens do início do artigo, existe um descompasso muito grande entre as  expectativas e a realidade que os espera no mercado. Os pais se esforçam para  pagar uma boa escola para que os filhos possam no futuro conseguir um bom e estável emprego, a  Universidade os prepara para serem bons empregados, a família os cobrará por um salário todo fim do mês com carteira assinada, férias, 13º e Fundo de Garantia.  Mas emprego é definitivamente um espécime em extinção o que torna crucial uma mudança de enfoque. Devemos pensar menos em emprego e mais em trabalho. O importante é adquirir o conhecimento que vai gerar valor no mercado, não importando a forma com a qual esse conhecimento é transacionado, se através de carteira, consultoria, terceirização, contrato de compra e venda de serviço… ou outra.

A verdade é que com a intenção de ajudar, o governo é um grande atravessador nas relações entre o comprador e o vendedor de trabalho, ele fica com metade do valor transacionado, e pior de tudo, usa pessimamente esses recursos.  Acho que os jovens devem sempre pensar como empreendedores, ser donos de seu destino, nunca abandonar um sonho por medo de se arriscar num empreendimento. O Brasil está cheio de oportunidades, não só na Internet mas também em diversos outros setores como agroindústria, exportação, turismo.. entre outros e, além disso, mesmo que se trabalhe como empregado para uma empresa, é importante sempre pensar nela como se fosse dono. Na pior das hipóteses será um bom treino para quando isso realmente vier a ocorrer.

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