Comércio eletrônico não deixou por menos em 2006

Comércio eletrônico não deixou por menos em 2006

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O Web Shoppers, publicação anual da empresa eBit, apresentou o desempenho do comércio eletrônico para bens de consumo em 2006 e, mais uma vez, o resultado foi excepcional. Abaixo, uma síntese dos principais números, com a respectiva evolução em relação ao ano anterior:

Faturamento: R$ 4,4 bilhões, crescimento de 76%
Pedidos realizados: 14,8 milhões, acréscimo de 6 milhões de pedidos
Número de e-consumidores: 7 milhões, 2,2 milhões de novos compradores

Os números e, principalmente, as taxas de crescimento são de deixar qualquer economista com “água na boca” e refletem o ótimo momento vivido pelo comércio eletrônico no Brasil. Conforme já escrito aqui, esse contínuo fortalecimento do e-commerce é conseqüência da expansão do acesso à Internet, bem como da descoberta gradativa, por parte do internauta, da comodidade, agilidade e economia representada pelas compras on-line. Mantida a taxa média de crescimento dos últimos anos, o que é plenamente factível, veremos, ao final da década, o faturamento nas vendas on-line atingir doze bilhões de reais e um mercado consumidor de 19,2 milhões de pessoas, o que representará algo próximo a 10% da população brasileira.

Um aspecto interessante que deve ser considerado pelos varejistas é que o comércio eletrônico não é uma alternativa excludente em relação à loja física, mas sim um complemento. Dados da pesquisa apontam que cerca de 40% dos compradores on-line visitam as lojas físicas antes de se decidirem pelas compras e, por outro lado, cerca de um terço dos consumidores pesquisa na Internet antes de realizar a compra na loja física. Isso indica que os dois canais são complementares e que o consumidor, cada vez mais, utilizará qualquer um deles, da maneira que lhe for mais conveniente no momento da compra. Dessa forma, um varejista que atue apenas com lojas físicas corre o risco de perder mercado para aqueles que atuem também na Internet. De olho nessa tendência, muitos varejistas tradicionais implantaram operações de venda on-line no ano passado, dentre eles, nomes de peso como Marabrás e Pernambucanas. Será que algum grande varejista vai ousar ficar de fora?

Outro dado interessante levantado pela pesquisa é um aumento na participação dos estados do Norte e do Nordeste no total de e-consumidores. Essas regiões, que detêm 16% dos consumidores on-line, ganharam uma fatia de 20% daqueles que compraram na Internet pela primeira vez no ano passado. Essa é uma tendência natural, uma vez que a região Sudeste, com melhores condições socioeconômicas, teve mais rapidamente uma parcela expressiva de sua população com acesso à Internet e ao comércio eletrônico. Vendo a questão sob a ótica do morador das regiões afastadas dos grandes centros, a Internet representa a oportunidade de comprar em lojas que, até então, eram acessíveis apenas com grande deslocamento e custo.

Por fim, a pesquisa indica uma consolidação do cartão de crédito como a opção de pagamento mais utilizada pelos e-consumidores, com 73% das compras sendo pagas dessa forma. Essa questão dos meios de pagamento no comércio eletrônico, particularmente no caso do cartão de crédito, tem implicações que merecem uma análise mais ampla e isso será tratado em nosso próximo artigo.

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