As empresas que não
aderirem ao comércio eletrônico não vão sobreviver. Nem no exterior, nem no
Brasil. O alerta foi feito por Mark Jarvis, vice-presidente do Oracle
Corporation, empresa líder na produção de programas para comércio eletrônico
falando sobre segurança na Internet.
De Olho No
Mundo - O consumidor brasileiro ainda tem medo do Comércio Eletrônico
por questões de segurança na internet. O que o senhor tem a dizer a esses
consumidores?
Mark Jarvis - Reconheço que o Comércio Eletrônico ainda não
é 100% seguro, mas é mais seguro comprar na Internet do que andar na rua e
correr o risco de ser assaltado, de ter, por exemplo, o cartão de crédito
roubado. A verdade é que há mais segurança na Internet que no mundo físico.
DONM - O
sr. não acha que muitos desses recentes investimentos no comércio eletrônico
poderão ter problemas a médio ou longo prazo?
Jarvis - Muitos desses investimentos vão sobreviver, temos que
aceitar que a Internet e o Comércio Eletrônico é o futuro da economia global
do mundo inteiro. Alguns países, como os Estados Unidos agora, estão sendo
estimulados pela Internet, o que está tendo um efeito direito sobre a economia.
O mesmo está acontecendo com o Brasil. Porém temos que reconhecer algo
importante sobre o Brasil: o país não é muito diferente dos Estados Unidos, o
povo tem o mesmo espírito empresarial e também o desejo de ter sucesso na
Internet. É a hora de os brasileiros pegarem isso e correrem atrás.
DONM - Uma
das preocupações da universalização do comércio eletrônico é a situação
dos países menos desenvolvidos, principalmente na África e na Ásia, onde
apenas uma pequena parte da população tem acesso à rede. O comércio eletrônico
não vai acabar aumentando ainda mais o fosso que existe entre países pobres e
ricos?
Jarvis - Bom, existe um pressuposto de que você precisa de um computador
pessoal para se ligar à Internet, mas, como vocês vão ver nos próximos dois
anos, isso vai mudar dramaticamente. O principal aparelho que as pessoas vão
usar para acessar a Internet daqui a dois anos não vai ser o computador, vai
ser o telefone celular, e isso vai permitir que regiões como Ásia, América
Latina e mesmo Europa superem o volume atual de uso da Internet nos Estados
Unidos. O celular vai levar a um avanço no comércio eletrônico num ritmo mais
rápido do que se poderia imaginar.
DONM - Estamos
vendo os primeiros passos do que o senhor acabou de mencionar no Brasil, algumas
empresas já anunciaram acordos para esse tipo de aceso. O sr. pode explicar
melhor como isso vai funcionar, o que vai acontecer na prática? Uma pessoa com
celular estaria online o tempo todo?
Jarvis - Com o celular, a Internet vai responder ao usuário. Por
exemplo, haverá um dispositivo no celular que vai permitir comprar e vender ações
na Bolsa de Valores. Também haverá outro dispositivo que vai permitir comprar
livros. Algumas dos dispositivos mais importantes poderão informar se o seu vôo
vai chegar atrasado e sugerir outros vôos saindo do mesmo local. Até será
possível ter avisos sobre quando um ônibus vai chegar ao ponto, se está
atrasado ou não. Tudo isso vai tornar a vida um pouco mais previsível e mais fácil.
DONM - O
título do seu seminário é "E-business or out of business",
insinuando que quem ficar de fora do comércio eletrônico vai ter que fechar
suas portas. O senhor quer dizer então que as lojas de CD, a livraria da
esquina, o varejo como um todo estão com seus dias contados se não começarem
a vender pelo Comércio Eletrônico?
Jarvis - Bom, o modo de compras não vai mudar, mas todas as empresas vão
ser afeitadas pela Internet, não só na maneira em que vendem para os
consumidores, mas também na maneira em que se organizam internamente e no modo
pelo qual se comunicam com seus fornecedores. Quando dizemos "E-Business or
Out of Business" em relação, por exemplo, a uma loja de CDs, não estamos
falando apenas do Comércio Eletrônico de forma restrita. Estamos falando
em interagir com os fornecedores de CDs e do modo de organizar a empresa
internamente. Se não começarem usar a prática do e-business, outras empresas
rivais serão mais eficientes ou vão oferecer um serviço de melhor qualidade e
portanto atrair os consumidores deles.